Nos anos 80, a McLaren deu cartas, acumulando cinco títulos de pilotos e quatro de construtores. Na base do êxito, estiveram uma chefia dura e exigente, e uma mentalidade tão eficiente como um relógio suíço. Atentemos na história da empresa projectada pelo neozelandês Bruce McLaren, que acumula 476 Grandes-Prémios disputados, 116 vitórias e 8 títulos de construtores...
|
Em 1961, Bruce McLaren conseguiu um lugar na prestigiada Cooper. Dois anos depois, um forte acidente despertou-o para a necessidade de rever a segurança dos bólides, tendo, para tal, desenhado dois novos monolugares. Charles Cooper, porém, não aprovou os projectos, pelo que Bruce e o colega Teddy Mayer decidiram criar uma nova equipa - a Bruce McLaren Motor Racing. |
|
Durante os dois anos seguintes, de 1963 a 65, Bruce manteve-se na Cooper, enquanto prestou o seu conhecimento técnico à nova marca, na qualidade de engenheiro; quanto a Mayer, herdeiro de uma família abastada americana, preparava o início ideal da marca. Apenas em 1966 a marca avançou para o Mundial de Fórmula 1... Em 1968, Bruce McLaren conquistou, em SPA, a primeira vitória para a marca, tendo, nesse ano, logrado o segundo lugar no Mundial de Construtores. Em Junho de 1970, porém, Bruce McLaren faleceu, vítima de um brutal acidente, ao esbarrar contra um barranco de cimento, durante uma sessão de testes do novo M8D em Goodwood. Aos 32 anos, o fundador da McLaren deixava um duro legado ao seu colega Teddy Mayer, e não foi por acaso que a marca demorou quatro anos até reencontrar o trilho do sucesso, quando Emerson Fittipaldi conquistou o título de pilotos.. |
|
A McLaren cultivou sempre a imagem dos seus pilotos, não estranhando que o seu ideólogo dos anos 80, Ron Dennis, tenha sempre mantido uma posição secundária. Entre os seis pilotos campeões ao serviço da McLaren, encontram-se diversas personalidades, desde os impetuosos Fittipaldi e Senna aos calculistas Lauda, Prost, Hunt ou Hakkinen. Em comum, o talento e uma apetência para a vitória. No total, 10 títulos de pilotos e 94 corridas ganhas, 65 das quais a cargo da fantástica (mas polémica) dupla Senna/Prost. Todavia, quem hoje vê Ron Dennis nas "boxes" da McLaren esbracejando, impondo a sua vontade e definindo qual dos dois pilotos será candidato a campeão, talvez seja tentado a esquecer os seus 30 anos ligados ao desporto automóvel. Na Fórmula 1, Dennis fez quase tudo, começando, em 1966, aos 18 anos, como aprendiz de mecânico na Cooper de Jochen Rindt. Um ano depois, o piloto alemão insistiu em levá-lo para a Brabham, onde permaneceu até 1970, já como chefe de equipa mecânica. Fez fortuna e, em 1976, juntou-se a Eddie Cheever e constituiu a Project Four, uma equipa de "designers" que, em 1980, se fundiu com a Team McLaren, constituindo a actual McLaren International (MI). |
|
|
Com Dennis, veio o projectista John Barnard, e a MI passou a ser controlada por Mayer (45%), Dennis, Barnard e mais dois investidores. Dois anos depois, porém, fruto de uma insistência de Barnard em apostar na Porsche como fabricante do novo motor, Mayer abandonou a empresa, deixando o seu controlo a Ron Dennis. Em 1984, a McLaren começava o novo reinado. Na sombra, este homem frio e calculista... Falar dos anos gloriosos da McLaren significa lembrar o M23 dos anos 70, construído pela Ford, o McLaren TAG Turbo idealizado pela Porsche (1984), os McLaren Honda ou os actuais McLaren Mercedes, campeões mundiais em 1998. Ron Dennis sempre soube escolher os melhores parceiros para cada momento, e não foi por acaso que a sua primeira decisão de vulto, em 1982, como principal "manager", foi o contrato assinado com a TAG (Technologies d'avant-garde), que financiou o desenvolvimento de um novo turbo pela Porsche. Em 1985, a TAG assumiu o controlo financeiro da McLaren International que, hoje, é uma das quatro empresas da "holding", juntamente com a TAG McLaren Marketing Services, a McLaren Cars e a TAG Electronic Systems. |
|
Quanto aos patrocínios, o "feeling" da McLaren para grandes negócios sempre foi evidente. Da Marlboro (que apostou na marca em 1974) à actual cigarreira West, os contratos foram sempre duradouros e compensadores. Não é à toa que, na Grã-Bretanha, a McLaren é referida como exemplo de uma empresa inovadora, lucrativa e eficiente. Como um relógio suíço... |
| 2.75 | Sebastian Vettel |
| 3.50 | Mark Webber |
| 4.50 | Fernando Alonso |